Paços
Orago: Santa Ana
Paços dista cinco quilómetros da sede do concelho. Confronta com o rio Minho (que a separa de Espanha), a norte, Cristóval, a nascente, Fiães, a sul, e Chaviães, a poente.
Freguesia do arcebispo de Braga, distrito administrativo de Viana, a mitra apresentava o reitor “colada”, que tinha cento e oitenta mil reis de rendimento.
É composta pelos seguintes lugares principais: Sá, Outeiro, Viladraque, Beleco, Casais, Ázere, Ferreira, Govendo, Granja de Merelhe, Cruz, Vinhas Pedreira, Ferraria, Casal, Corga, Campo das Bouças e Esporão.
O topónimo (Paço, contracção de Palácio) derivará – de acordo com alguns estudiosos – do facto de aqui ter havido não um mas diversos palácios, ou as casas solarengas, para alojamento de grandes senhores e suas gentes.
Povoação inquestionavelmente remota, teve decerto a sua origem na contínua passagem de povos entre as duas margens do rio Minho.
Deverá ter sido “ a sede de uma antiquíssima vila romana que enquadraria todo Melgaço medieval.”
Acrescenta o padre Manuel Bernardo Pintor: “Movimento à localidade deve ter-lhe dado uma passagem que havia no rio Minho, por onde, em recuados tempos, passavam os peregrinos que desmandavam o santuário jubilar de Santiago de Compostela, bem como pessoas que, das redondezas, se dirigiam para além-Minho por motivos de negócios.
“Era o Porto de Bergote. Tal devia ser a sua importância e o movimento da passagem que a localidade se chamava Bergote de cá e de lá, em ambas as margens do rio, como atesta um documento do mosteiro de Fiães do ano de 123 pelo qual Toda Monis com os seus seis filhos e filhas de apelido Fernandes e mais os filhos de Marinho Fernandes, que, pelo apelido, se deve presumir ser irmão do marido, venderam uma herdade a Fernando Sanches. Aqui se declara: - A mesma herdade está situada na vila que chamam Bergote. Vendemos-te quanto aí temos em uma parte do Minho e na outra.
“Caso estranho o facto de no fim do documento se mencionarem não autoridades de Portugal mas, sim, as de Leão, entre o Senhor de Crecente, isto é, o governador, que era capelão régio, Pedro Fernandes.”
As inquirições de D. Afonso III, em 1258, falam de Bergote, pertencente ao concelho de Melgaço. As de Dinis, em 1290, referem Bregontim, no julgado de Melgaço, antepondo-lhe, decerto por confusão, o qualificativo de freguesia. Nas Inquirições de 1307, já Bergote aparece sonegada aos direitos reais, desde há mais de seis anos.
No século XIII há escrituras de propriedades em Paços, embora não indiquem o nome da terra. A primeira referência documental referindo expressamente Paços, com o nome de “vila”, aparece em 1210.
Em 1641, no decorrer das lutas da Guerra da Restauração, a freguesia de Paços foi invadida por oitocentos soldados da Galiza que já tinham provocado desacatos em Cristóval.
Dicionário Enciclopédico das Freguesias: Braga, Porto, Viana do Castelo; 1º volume, pág. 423 a 439; Coordenação de Isabel Silva; Matosinhos: MINHATERRA, 1996