Orago: Santa Marinha
A freguesia de Roussas está localizada praticamente dentro da área urbana de Melgaço.
Confronta com a Vila e Chaviães, a norte, Fiães, a nascente, Lamas de Mouro e Cubalhão, a sul, e S. Paio e Prado, a poente.
Compreende os seguintes lugares principais: Loviô, Eira, Carvalhos, Pombeira, Castro, Sorribas, Sobral de Cima e Sobral de Baixo, Aldeia, Perzes, Porto, Cela, Bilhões, Costinha, Vinha de Cima, Serdedo, Telheiro, Igreja, Picota, Verdade, Requeijo, Vale, Oleiros, Cavaleiros, Cabreiros, Cabana, Paço, Mijanços, Adegas, Adegas, Estar, Quinta dos Frades, Eiral, Quinta de Baixo, Rio do Porto, Boavista, Bairro da Senhora da Gaça, Corujeiras e Cursães.
A origem do seu topónimo (que também já foi Roças ou Roucas – e há quem defenda esta última grafia) deverá estar ligada a um castigo do seu couto – rauce, merca in boca, homínio, etc. – prática muito usada nos vários coutos do país na época medieval
Explicando o facto de os habitantes de Roussas se lhes dar a alcunha de Cucos, o padre Aníbal Rodrigues acrescenta, ainda a hipótese de o nome da povoação poder a vir de rousso 8como o povo chama, em algumas regiões, ao rouxinol), pássaros que por estes lados abundam.
Foi primeiramente padroado da antiga casa do Paço de Roças, que era nesta freguesia, no lugar chamado Paço. O padroado passou depois para Manuel Pereira (o Mil-Homens), da vila de Monção, e o solar para os Castros, de Melgaço. Finalmente passou o padroado para os arcebispos de Braga. A mitra apresentava o abade, que tinha trezentos e cinquenta mil réis de rendimento.
A fundação de Roussas é muito antiga, anterior à fundação da nacionalidade, abundantemente documentada já no século XII, em escrituras do mosteiro de Fiães.
O Padre Manuel Bernardo Pintor declara, na sua obra “Melgaço Medieval”, ter-se identificado “cerca de trinta documentos, desde 1152 a 1247, relacionados com Roussas”.
O estudioso melgacense afirma que “há gente importante em Roussas nesses tempos antigos”. E particulariza: “De lá deve ter sido Garcia Pires, o alcaide mais antigo do castelo de Melgaço por nome conhecido, mencionado em documentos de 1240 e de novo em 1241 com o nome Garcia Tourões, variante do seu nome, como se vê por outro documento de 1229.”
Certo é aqui ter nascido o padre Manuel Alves Salgado, que foi fâmulo do infante D. Gaspar, filho natural de D. João V, e depois secretário da câmara eclesiástica de arcebispo, no tempo de mesmo príncipe. Do Padre Salgado se dizia ter sido, enquanto estudante, “o mais caçador do Minho”.
As Inquirições de 1258 referem-se muito ligeiramente à freguesia de Roussas. Nas Inquirições de D. Dinis, em 1290, aparece Roussas. O lugar de Cavaleiros, que foi uma vila dos tempos antigos, já tinha este nome em 1160, ano em que ali foi vendida uma propriedade ao Mosteiro de Fiães.
Roussas foi incluída no foral de Melgaço, em 3 de Novembro de 1513. Em 1839 aparece registada na comarca de Monção. No ano de 1874 consta já na comarca de Melgaço.
O território da freguesia – hoje em dia, uma das mais populosas do concelho – abrange sete quilómetros de comprimento por cinco de largo, estendendo-se desde a encosta oeste da serra de Perdinelo até junto das muralhas de Melgaço.
A igreja paroquial, edificada em 1690, “à custa do benemérito abade da freguesia, Brás d’ Andrada da Gama “, foi reconstruída em 1870. Era uma das mais amplas do distrito. Tem altar-mor e quatro altares laterais, com imagens de excelentes esculturas, especialmente a da Senhora da Soledade, de tamanho quase natural. Possui um interessante retábulo, estilo renascença, do século XV.
A Capela do Preto (ou do Coto do Preto ou de nossa Senhora da Conceição) tem uma bem esculpida pedra de armas, da Ordem da Conceição, sobre a porta principal.
Dos altos do lugar de Crasto e do nome de Santa Rita (com capela e romaria) gozam-se belíssimas vistas sobre o vale do rio Minho e a vizinha vila.