Cristóval

Cristoval

Área : 4,74 km²

Orago : S. Martinho

População : 528 habitantes (2011)

Norte: Espanha

Este: Espanha

Sul: Fiães

Oeste: Paços

Junta Cristoval

Presidente da Junta de Cristóval

David Manuel Barbeitos

juntacristoval@hotmail.com

Horário de Funcionamento

sábado: das 14h00 às 16h00

  • Cruzeiro de São Gregório
  • Igreja de Cristóval

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Cristóval, colocada no extremo norte de Portugal, dista nove quilómetros da sede do concelho. Confronta com o rio Minho (com ligação à província espanhola de Pontevedra), a norte, o rio Trancoso (a província de Ourense na outra margem), a nascente, Fiães, a sul, e Paços, a poente.

Compreende os seguintes lugares principais: S. Gregório, Cevide, Ramo, Doma, Porta, Sobreiro, Marga, Pousadas, Campo de Souto, Esquipa, Granja, Cruz, Passal, Pico, Soalheira, Casais, Poços e Pedregal.
O lugar de S. Gregório, o mais importante da freguesia, é a ponta mais a norte do território nacional. Por assim dizer, “aqui começa Portugal”. Foi durante muitos anos, posto fronteiriço de ligação a Espanha. A ponte internacional atravessa o pequeno mas encantador rio Trancoso, que, nascendo nos altos de Castro Laboreiro, garante a divisa com os vizinhos galegos desde Lamas de Mouro até Cristóval, aqui entregando a missão ao rio Minho, que a leva à risca até ao fim, à foz, no Oceano Atlântico, entre Caminha e La Guardia.

No seu conjunto, o território de Cristóval estende-se em socalcos, pela encosta da serra , desde as belas zonas ribeirinhas do Trancoso e do Minho até aos sítios mais altos, verdadeiros miradouros donde se observam os horizontes de toda a região , em que sobressaem os amplos vales daqueles dois rios, e principalmente do Minho, que oferece a visão descansada das suas águas serpenteando por entre as terras galegas e portuguesas.

A antiga freguesia de S. Martinho de Cristóval (topónimo de origem galega) era abadia de concurso ordinário no termo de Melgaço. Pertencia, no entanto, à comarca de Valença.
Aproveitou do foral de Melgaço pelo rei D. Manuel, em Lisboa, em 3 de Novembro de 1513. Em 1839 aparece inscrita na comarca de Monção, passando-se definitivamente, a partir de 1878, para o julgado e comarca de Melgaço.

O rio Trancoso (chamado primeiro Doma e, depois Várzeas) serviu de fronteira a Portugal logo desde a fundação, porquanto – de acordo com o Padre Bernardo Pintor – “ os documentos relativos a propriedades em Cristóval mencionam o rei de Portugal e os relativos a propriedades sitas na margem oposta mencionam o rei de Leão. Os documentos abrangem desde meados do século XII a meados do século XIII.”

Referidas nas Inquirições de 1258, o documento mais antigo em que é mencionado o nome da freguesia (tratava-se de uma doação) remonta, no entanto, ao ano de 1142. Outro, de 1210, é considerado muito importante para a história de Cristóval, pois – esclarece o padre pintor – “nos fala de Paço, que era onde morava o senhor da vila. João Raimundo e sua mãe doaram a Fiães uma herdade situada em Doma, chamada do Palácio, nome que geralmente deriva de Paço. Paço era a morada da autoridade, que poderia ser toda aterra de Cristóval ou apenas da “vila” de Doma.”

Na área de Cristóval houve renhidas escaramuças aquando da Guerra da Restauração, levantando os Portugueses um forte sobranceiro à passagem do Trancoso. O sítio permanece conhecido pelo nome de Forte ou Trincheira.
Em 1641, os Espanhóis entraram em Portugal e incendiaram as casas de Cristóval, não poupando sequer a Igreja. Os nossos retaliaram, saltaram ao lado de lá e fizeram o mesmo.
Em livros antigos, vários autores referem especificamente o regato ou ribeiro que por aqui corre, o Trancoso, e as águas da fonte chamada Padrão; eram-lhe então atribuídas virtudes de cura da lepra e de outras moléstias cutâneas.

No campo do património cultural da freguesia, merece destaque o Cruzeiro de S. Gregório, classificado como monumento nacional.
No monte da Facha (topónimo que vem de Faro, Farol, Fogueira, de origem celta), onde está o importante Santuário de nossa Senhora de Fátima, existem gravuras rupestres e ruínas de umas muralhas, de defesa castreja.
Em tempos remotos, no monte da Facha, foi edificada uma capela dedicada a S. Gregório Papa.
A igreja paroquial desta freguesia, conserva ainda alguns vestígios da sua primitiva construção românica. A porta principal de arco redondo, é seguramente anterior ao século XVI. Terá sido de uma só nave com o seu altar e retábulo onde está o arco cruzeiro, cujo antão é coberto por uma cornija românica e rematada por uma cruz em pedra vazada. A sua torre é moderna.

Pinho Leal, diz sobre esta freguesia que “À água da fonte da pedra se atribuiu a virtude de curar a lepra e todas as moléstias cutâneas” e ainda que “é terra fértil e possui gado”.

Dicionário Enciclopédico das Freguesias: Braga, Porto, Viana do Castelo; 1º volume, pág. 423 a 439; Coordenação de Isabel Silva; Matosinhos: MINHATERRA, 1996